COMO
SAIR DAS DÍVIDAS
Provérbios
22:7 afirma que: “Quem toma emprestado é
escravo de quem empresta”. E esta é
uma nova forma de escravidão tão
terrível como qualquer outra expressão
de falta de liberdade. O sonho que acalentamos
é ver cada membro do corpo de Cristo sendo
próspero, tendo todas as suas necessidades
supridas e podendo suprir a de outros. Este é
o conceito bíblico de prosperidade. A questão
de dívidas, como uma forma de escravidão,
tem roubado a alegria de muitos irmãos
e esvaziado a harmonia no lar e gerado tantos
conflitos. Sabemos que o apóstolo Tiago
faz uma pergunta importante na sua carta: “De
onde procedem guerras e contendas, que há
entre vós?” (Tg 4.1). Por mais útil
que seja ter instruções para sair
de uma guerra ou contenda já iniciadas,
é muito mais importante saber como eliminar
a causa ou raiz das contendas.
No
caso da escravidão econômica que
se amplia cada vez mais através dos juros
das dívidas, um roteiro com dicas e conselhos
para livrar delas é muito útil.
E obviamente, antes de alguém tentar sair
das dívidas, ele precisa se convencer de
que estas são perniciosas, devoradoras,
e que podem facilmente fugir ao controle. Porém,
um dos conceitos mais comuns hoje tanto na administração
de bens pessoais, como de assuntos empresariais,
é que a única maneira de realizar
avanços, ou de conquistar vitórias
econômicas é contraindo dívidas.
Se você se limitar aos recursos que tem
disponíveis, se usar a mentalidade conservadora
e tímida, nunca conseguirá progredir.
É assim que prega o “espírito
deste mundo”. Mas há algo ainda mais
fundamental para descobrirmos nesta questão
de livrar-se da escravidão da dívida.
Devemos formular a pergunta de Tiago da seguinte
forma: “De onde procedem as dívidas
e jugos financeiros que há entre vós?”
De onde vêm tantas dívidas? Será
que é por causa do excesso de propagandas,
da influência do ambiente, da filosofia
que predomina no mundo hoje?
Se
estamos pensando em alguém que está
prestes a perder casa, carro, reputação,
ou emprego por causa do descontrole das dívidas,
certamente haverá um desespero muito grande
por sair do jugo pesado. Mas a verdade é
que a maioria de nós convive bem com a
situação – não especificamente
com a idéia de dívida, mas com a
atitude básica por trás das dívidas.
No
caso das contendas, Tiago respondeu a pergunta
acima da seguinte forma: “De onde, senão
dos prazeres que militam na vossa carne”
(Tg 4.1). Esta resposta serve para a maioria das
perguntas sobre a causa real dos problemas da
Igreja e da humanidade. E certamente coloca o
dedo na origem de grande parte das dívidas.
Desde
o orçamento doméstico de uma família
modesta, até os orçamentos astronômicos
de empresas, municípios, estados e países,
o homem nunca se contenta com o valor da sua renda.
Os países mais ricos do mundo têm
as maiores dívidas. No plano individual
e familiar, geralmente gastamos tudo que ganhamos
– e mais um pouquinho.
Por isto, se você
ganha R$ 500,00 por mês, terá dívidas
porque não dá para viver somente
com este valor. Mas quando suas circunstâncias
melhoram, e seu salário dobra, suas expectativas
e desejos crescem na mesma proporção,
e você continua incapaz de permanecer dentro
do seu orçamento.
Onde está a raiz deste problema? Na atitude
básica do coração humano
que se chama ganância. Ou naquilo que o
apóstolo João chamou de concupiscência
dos olhos (I Jo 2.15, 16), que não procede
do Pai, mas do mundo.
Mesmo
entre os cristãos, pouquíssimas
pessoas identificam esta atitude como algo totalmente
contrário ao espírito de Jesus.
Alguns até conseguem estabelecer limites,
e entendem que não devem entrar em dívidas
para satisfazer seus desejos, mas em certa medida
continuam escravos da necessidade de ter, de possuir,
de obedecer a seus impulsos. Este instinto começa
no coração desde criança,
e os pais que têm condições
financeiras freqüentemente o alimentam nos
seus filhos.
Sentem-se
até frustrados ou condenados se não
conseguem satisfazer a vontade do filho de ter
mais um brinquedo, mais uma sandália, um
tênis de marca famosa, um celular, um computador,
mais um produto supérfluo, mesmo que seja
usado uma ou duas vezes, e depois jogado no canto
por não representar mais novidade. “Você
vai deixá-lo com vontade?” “Vai
fechar seu bolso quando ele deseja tanto aquilo?”
E assim eles crescem, dominados pela compulsão
de ter o que os outros têm, de fazer o mesmo
tipo de festa que os outros fazem, de satisfazer
suas vontades. E depois de adultos, continuam
escravizados pela “necessidade” de
adquirir algo que o coração determinou
que precisa ter a qualquer custo.
Dependendo
do quanto conseguimos esticar nosso limite além
do que ganharmos (com cartão de crédito,
limite de cheque especial, empréstimo ou
simplesmente irresponsabilidade). Achamos que
pelo nosso nível de vida “temos”
este ou aquele valor, indiferente da disponibilidade
ou não no orçamento. E que de algum
modo, “no futuro” tudo dará
certo, e conseguiremos pagar tudo, ou pelo menos
ir fazendo malabarismo, emprestando de um, pagando
a outros, e vivendo conforme desejamos.
O
pecado, na sua essência e origem, é
obedecer aos desejos do nosso próprio coração.
É satisfazer os impulsos e apetites da
natureza caída, dominada pela carne e pelo
egoísmo. É justamente ali que o
inimigo consegue ter maior acesso à nossa
vida. “Digo, porém: Andai no Espírito
e jamais satisfareis às concupiscências
(aos desejos) da carne. Porque a carne milita
(coloca o seu desejo) contra o Espírito,
e o Espírito contra a carne, porque são
opostos entre si...
Mas, se sois guiados pelo
Espírito, não estais sob a lei”
(Gl 5.16-18). As palavras concupiscência
e milita na passagem acima vêm da mesma
palavra no grego, que significa: anseio, desejo
(especialmente por algo proibido), ímpeto,
impulso, vontade, cobiça, ambição,
sede.
Portanto, a causa das nossas lutas vem do
coração, e dos desejos que vêm
da nossa carne se opondo aos desejos que vêm
do Espírito Santo em nós. Como conseguiremos
sair das dívidas se não resolvermos
esta questão fundamental? Talvez desejemos
nos livrar dos juros, da pressão que as
dívidas nos causam, mas será que
estamos dispostos a buscar a libertação
também dos desejos desenfreados que nos
levaram a este jugo?
Santificar a vida financeira não significa
apenas doar uma porcentagem dos seus recursos
ao Senhor, e fazer o que bem entende com o restante.
Pertencemos
integralmente a Ele, e se nosso coração
ainda não foi conquistado por completo,
se ainda não vibramos mais com o avanço
do Reino de Deus do que com aquisições
materiais, se o nosso sonho ainda é satisfazer
os desejos compulsivos do nosso coração
egoísta, dificilmente nos livraremos das
dívidas, mesmo que tenhamos o melhor manual
do mundo.
Não
estou propondo uma vida de ascetismo, de privações,
ou de sacrifícios por esforço pessoal.
Uma pessoa que deixa de gastar a fim de ser “santo”
ou dedicado, mas cujo coração ainda
se apega àquilo que não possui,
não alcançou santificação
alguma.
A
única coisa que tem valor para Deus é
a libertação da ganância interior,
que só ocorre pelo Espírito Santo,
que enche nosso coração de tal paixão
por Jesus e pela sua causa, que todos os demais
desejos se tornam insignificantes em comparação.
O
primeiro passo é identificar a raiz do
problema. O segundo é prostrar-se diante
de Deus em arrependimento e total insuficiência
e abrir o coração para que faça
o restante pela sua vida em nós! Colocando
o machado à raiz dos nossos desejos, Ele
pode mudar as forças que governam vidas,
e nos libertar dos impulsos que nos colocam sob
o jugo do inimigo.
“Sobre
tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração,
porque dele procedem as fontes da vida”
(Pv 4.23)”.